“De volta para o futuro” foi um clássico da minha geração.
Quem viveu a infância nos anos 80 e 90 certamente esqueceu de rebobinar a fita ao devolvê-la na locadora, depois de assistir umas três vezes ao filme no fim de semana.
Vou te ajudar a lembrar: o cientista Dr. Brown inventou um carro – ou melhor – uma máquina do tempo, capaz de levar o jovem Marty McFly pro passado ou pro futuro.
Entrar na DeLorean foi o sonho de toda uma geração.
Mas para mim, o grande barato era o que movia aquela engenhosa engenhoca. Eu nunca esqueci. Era lixo.
Casca de banana, caixa de ovos, resíduos… Tudo foi transformado em combustível. Eureca!
Lixo é um problema social, ambiental e econômico. A parte orgânica do lixo, ou seja, qualquer material de origem biológica, como restos de alimentos, plantas, madeiras, dejetos humanos e animais, pode ser transformada em muitas fontes de rendas e em soluções ambientais e sociais. Uma delas é um combustível renovável, o biometano, com a composição e valor calorífico semelhante ao gás natural veicular (GNV) encontrado em muitos postos de abastecimento.
Quis o destino que aquela fã de “De volta para o futuro” em 2014 fosse trabalhar com esse “cara”, ou melhor, com o biometano. Foi quando comecei a buscar conhecimento sobre este fascinante combustível.
O biogás é produzido por meio da ação de bactérias em materiais orgânicos ou através da decomposição anaeróbica, realizada por um equipamento chamado biodigestor anaeróbio, um algo simples e já usado em muitas fazendas pelo Brasil.
Então aquele lixo orgânico, aquele dejeto que o agricultor precisa pagar para se livrar ou encontrar mecanismos para não descartar no meio ambiente, vira fonte de receita. É pura economia circular!
Da biologia para a química, vale lembrar que o biogás é um gás composto basicamente por Metano (CH4), Dióxido de Carbono (CO2), Oxigênio (O2) e Nitrogênio (N2).
Quando ele é purificado e aumenta sua concentração de metano em aproximadamente 95%, se transforma em biometano, combustível capaz de mover ônibus ou caminhões pesados.
Foi há oito anos que inventamos de trazer pro Brasil o primeiro ônibus movido a biometano, ou melhor, “titica de galinha”. Eram testes com biometano produzido por agricultores do Oeste do Paraná. Deu tão certo que virou um bafafá: Ônibus urbano da Scania é movido a… titica de galinha – Jornal O Globo
Em 2022, finalmente, o nome biometano começa a deixar de causar estranheza e tem virado um mix de fascinação e solução.
Pelo visto o futuro chegou.
Ainda não apertamos botão para a roupa se ajustar ao corpo ou nos locomovemos com skates voadores.
Mas em alguma coisa Dr. Brown tinha razão: #economiacircular e #sustentabilidade seriam tão normais quanto descascar uma banana.

