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COP27: É preciso falar sobre a ACIDIFICAÇÃO DOS OCEANOS no destino turístico de mergulhadores de todo o mundo

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Sharm el-Sheikh, no Egito, sedia a 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a #COP27.

A cidade é conhecida por suas belas praias, águas cristalinas e recifes de corais.

Sharm el-Sheikh é destino turístico de milhares de mergulhadores que visitam a região atrás de belezas submersas, neste local entre o deserto da península do Sinai e o mar Vermelho. 

Numa conferência do Clima discutem-se infinitos temas. Mas quiséramos que a ACIDIFICAÇÃO DOS OCEANOS também ganhasse destaque na pauta, aproveitando o ensejo do lugar. A questão é outra consequência da #mudançaclimática.

Saiba o porquê.

Com a crescente emissão de gases do efeito estufa no mundo, os oceanos têm pagado uma conta alta.

Aproximadamente um terço de todo CO2 vai parar nas águas do planeta.

Esta concentração de dióxido de carbono acelerada acabou por alterar o pH dos oceanos, tornando-os menos alcalinos e mais ácidos. 

Nas últimas décadas, os oceanos se tornam 26% mais ácidos. 

Mais ácidos porque quando o CO2 dissolve na água, ele cria o chamado ácido carbônico. 

Ele reage com substâncias químicas da água chamadas íons de carbonato, diminuindo sua concentração.

Na prática, afeta uma vasta quantidade de espécies que vivem no fundo do mar, principalmente os que precisam do carbonato para seu desenvolvimento, como moluscos e mexilhões, por exemplo.

A consequência? A acidificação pode causar extinções em massa.

Outro grande problema é que, com o acúmulo de CO2 das emissões desenfreadas, a temperatura média do planeta aumenta. Logo, a dos oceanos também.

Quando a água fica muito quente, os corais acabam por sofrer BRANQUEAMENTO.

Perdem a cor viva e característica que tanto atrai turistas mergulhadores, mas também fundamental para o equilíbrio sob a água.

A mudança de cor dos corais é sinal grave de que estão doentes.

E o que preocupa é que o fenômeno tem acontecido com mais frequência e velocidade, como resultado do aquecimento global.

Em outra parte do mundo, na Grande Barreira de Corais, ao largo da costa de Queensland, no nordeste da Austrália, os danos causados pela espécie humana são cada vez mais crescentes.

Conhecido como o maior organismo vivo da Terra, a Grande Barreira de Corais é um ecossistema de 2.300 km de extensão, visível até mesmo do espaço.

Cientistas apontam que três dos cinco principais eventos de branqueamento na Grande Barreira ocorreram nos últimos cinco anos.

Lembra do que falamos de eventos extremos e recorrentes? Isso é um exemplo da mudança climática agindo sem piedade.

Esta repetição de eventos em um curto espaço de tempo é crítica. Porque os intervalos são essenciais para que os corais se recuperem.

Por conta da alta frequência, metade deles já morreram.

Cientistas alertam que já passamos do pontos e inflexão do branqueamento de corais. Seja no Egito ou na Austrália, a gravidade é a mesma.

O tema é mais sério do que você possa imaginar. Corais são importantes para o equilíbrio da vida no fundo do mar, mas também fonte de renda para a espécie humana.

Os recifes de corais alimentam o corpo e o bolso de mais de 500 milhões de pessoas no mundo. Renda proveniente de alimentos e turismo. 

É triste saber que nos últimos 30 anos perdemos cerca de 50% dos corais do mundo.

Perderemos muito mais se não cuidarmos do que é essencial, porém muitas vezes invisível aos olhos.

É que sem um oceano saudável, não poderemos ter um planeta saudável. 

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