JUNTOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO.
Com este lema e visando sair da negociação para a ação, o Egito reunirá lideres globais de 6 a 18 de novembro na 27ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 27.
Em meio à Guerra da Rússia e Ucrânia, que provocou não somente um crise geopolítica global, mas também insegurança energética meses antes do início do inverno no hemisfério Norte, e um forte abalo às economias globais – com países vivenciando recordes de inflação -, a COP27 vai ganhar a atenção e a preocupação internacional.
Não há dúvidas de que invasão da Ucrânia pela Rússia mudou radicalmente o curso da política climática global.
Na Europa – como em um parto a fórceps -, países que há décadas dependiam de importações de combustíveis fósseis vindos da Rússia, viram a fonte secar da pior forma possível.
O continente europeu importava 40% do gás natural da Rússia, energia indispensável para aquecedores de lares, empresas e edificações públicas.
Como o frio tem data marcada e seu rigor é previsível, muitos países se concentraram em encontrar fontes alternativas de combustíveis para aumentar a segurança energética.
A eficiência energética ganhou mais relevância e projetos de produção e distribuição de energia alternativa foram acelerados.
Só que o alternativo nem sempre é o sustentável. Para driblar a dependência energética do gás russo, a União Europeia acabou colocando em xeque os planos de cortar 55% das suas emissões até o final desta década.
Alemanha, Itália, Áustria e Holanda foram alguns dos países que anunciaram a reativação de usinas de carvão para gerar energia. Uma forma de ajudar o continente a atravessar a crise que elevou os preços do gás e provocou inflação em massa.
O carvão mineral é um combustível de origem fóssil, extraído da terra por meio da mineração. Sua origem se dá a partir da decomposição da matéria orgânica – como restos de árvores, alimentos e plantas -, que se acumulou há milhões de anos. Daí que vem o nome fóssil.
Esta matéria orgânica que acabou sendo sedimentada por ter sido soterrada por depósitos de argila e areia, dá origem a moléculas químicas formadas por átomos de carbono com muita energia.
Quando este material extraído é queimado para rodar veículos ou gerar energia, automaticamente todo aquele volume de carbono armazenado por milhões de anos é lançado na atmosfera.
E gás carbônico é um dos vilões da emergência climática, por ser um gás de efeito estufa, que contribui para o aumento da temperatura da terra.
Por saber que o carvão é uma fontes de energia mais poluentes do mundo, desde 2016, mais da metade das usinas do continente europeu anunciaram o fechamento.
No entanto, de acordo com a International Energy Agency (IEA), o carvão mineral é responsável por 40% da produção de energia elétrica mundial. Ou seja, o desafio ainda é imenso.
Além da crise de energia, a #COP27 vai debater os efeitos da mudança climática – como ondas de calor, aumento de eventos naturais extremos como inundações e secas – e como eles se tornaram mais visíveis, recorrentes e impactantes.
E o combate ao tema dependerá de recursos, injeção de bilhões de dólares na economia, especialmente de países em desenvolvimento.
O Egito, país anfitrião da conferência do clima, declarou que a assistência financeira aos países em desenvolvimento deveria estar no topo da agenda.
Também serão referenciados os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgados este ano. As publicações alertam que qualquer atraso na ação global de mitigação e adaptação “perderá uma janela de oportunidade breve e de fechamento rápido para garantir um futuro habitável e sustentável para todos”.
A “COP da ação” também vai chamar a atenção para a necessidade de implementar e ampliar os objetivos do histórico Acordo de Paris.
Criado em 2015, como resultado da COP21, na capital da França, o acordo era um compromisso de líderes mundiais de conter a mudança climática.
Chefes de Estado se comprometeram a manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C – em comparação com os níveis pré-industriais – e a limitar este aumento a 1,5°C.
Como com o passar dos anos pouco se avançou na agenda das ações, na COP26 em Glasgow, no ano passado, os países participantes foram incentivados a rever seus compromissos climáticos e definir metas mais ambiciosas, fortalecendo suas contribuições nacionais.
Ainda seguem “capengas” os avanços em opções de financiamento para os países que mais sofrem com os efeitos das mudanças climáticas, entre eles, os do continente africano.
Coincidentemente, os países que menos poluem são os que mais sofrem as consequências do aquecimento global. Eles que vivenciam a chamada injustiça climática.
Com isso, espera-se que grande parte do debate na COP27 seja focado na necessidade de agir e transformar as promessas e anúncios em resultados e ações concretas.
Lembrando que uma das principais tarefas da COP é revisar as comunicações nacionais e os inventários de emissões de gases do efeito estufa divulgados pelos países-membros. A partir destas informações, são avaliados os progressos e as medidas a serem tomadas.
As notícias não são nada boas e pouco se avançou.
Portanto, vem aí um momento decisivo para a agenda climática internacional e para o futuro das próximas gerações.

