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Carro elétrico: Cool pero no mucho?

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Peguei um Uber elétrico em Londres.

As boas-vindas à capital da Inglaterra foram de um jeito sustentável. 

No percurso do aeroporto de Heathrow ao hotel, vim perguntando ao Sebastian, o motorista do aplicativo, tudo que queria saber da experiência de usuário de veículo elétrico, mas não tinha tido a chance de perguntar.

O que mais gostei como passageira foi o silêncio do carro

Barulho de motor, principalmente no trânsito, causa uma irritação desagradável, acelera o cansaço.

Com o elétrico é como se estivesse um um silêncio abafado. Muito bem-vindo depois de pouco mais de 11 horas de voo.

Primeira vantagem percebida: saúde mental.

Mas logo quis saber das outras vantagens da máquina elétrica.

Sebastian me contava que todo mundo acha o carro “cool” mas ele tem suas críticas. E não são poucas.

Como pelo tempo gigante perdido com  abastecimento.

Pode variar de 1 hora para as estações consideradas rápidas, a 3 horas e meia para as comuns, ou até 12 horas para as mais lentas. Isso se o motorista der sorte de encontrar a estação desocupada.

A autonomia do carro não chega a 500 quilômetros com todo este tempo de carregamento.

Mas o número se dilui quando o trânsito não colabora e fica naquele anda e para sem fim das grande cidades.

Afinal, no primeiro mundo, esta coisa de engarrafamento também existe.

Aparentemente a cidade tem investido muito no discurso para que mais gente como Sebastian adote veículos elétricos. 

Veículos elétricos têm ganhado cada vez mais as ruas de cidades europeias pela necessidade – que se virou em lei em alguns países- de reduzir drasticamente as emissões de CO2 que causam o aquecimento do planeta. 

Mas, segundo Sebastian, o discurso não é bem assim na prática.

Começa pelo fato de que proprietário do veículo é cobrado pelo tempo parado abastecendo nas regiões centrais.

É que o espaço público ocupado naquele tempo de carregamento vale dinheiro para  a prefeitura. E ela não tem aberto mão disso.

Paralelamente, o imposto reduzido – um boa vantagem do elétrico x carro a diesel – só vai ficar vigente até 2025 em Londres.

Ou seja: em menos de três anos, o contribuinte sustentável vai deixar de ter aquela boa redução de tributos.

Mas o que mais sensibiliza sobre se o elétrico vira o jogo ou não, é a questão energética.

Começando pela conta ambiental do “poço a roda”, em que se contabilizarmos as emissões desde a produção de energia até o uso no veículo, muito provável que por aqui as emissões fiquem páreo a páreo com o diesel.

Diferentemente do Brasil, a matriz energética europeia tem uma ínfima parcela de origem renovável.

Outro fator de alerta é o preço da energia. Ele não para de subir por aqui.

É notícia de jornais e telejornais. 

Em junho a sociedade civil lançou a campanha “Don’t pay U.K.”, um protesto que mobiliza cidadãos a não pagarem a conta de luz a partir de outubro, em um claro protesto contra o aumento abusivo de preços dos últimos meses.

Uma conta de luz que saía, em média, £700 mensais em abril, dois meses depois já passava das £2.000. E em outubro deve bater nas £3.000. 

É muito dinheiro até para quem ganha em libras.

Sebastian e outros tantos cidadãos britânicos ou residentes têm sofrido com o encolhimento do poder de compra e a inflação, que deve assustar ainda mais com a chegada do inverno.

Sem contar que o carro custa em média 35% a mais do que um modelo similar a diesel. 

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E ele ainda se queixou de que o acabamento do interior do elétrico é de qualidade inferior à versão movida a combustível fóssil.

Sebastian, desanimado, disse que não investiria novamente em um elétrico. 

A não ser que as coisas mudassem.

Energia mais em conta, e mais velocidade de abastecimento seriam prioridade para mudar sua decisão.

Para os otimistas por um mundo mais sustentável, a batalha está mais árdua.

Pena constatar que mesmo neste lado do mundo com tanto avanço, o elétrico ainda está longe de ser o “must”.

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