Terra de extremos e surperlativos. Assim percebi Dubai neste primeiro dia de visita.
Os termômetros marcam 39°C com um calor tão sufocante que qualquer sombra vira um oásis.
O céu é totalmente ocupado por edifícios altíssimos imperando a modernidade por onde se olha.
Não tinha outro jeito que não fosse subir até o 125° andar do prédio mais alto do mundo – são 828 metros e 160 andares! -, o Burj El Khalifa, para ver a cidade do alto.
Cidade que comporta mais de 3 milhões e habitantes e 15 milhões de visitantes ao ano, construída no meio do deserto, banhada por praias artificiais e repleta de centros de consumo de luxo.
Viver nas alturas e nas praias no meio do deserto tem um preço alto para o planeta, pensei. Fui pesquisar e descobri que 75% da energia do país é destinada para manter as suntuosas edificações. Prédios que precisam do ar condicionado ligado ao máximo como forma de “sobrevivência”.
E aí me perguntei: em meio a tantas discussões globais sobre uso de energia renovável e redução de consumo, como será que esta cidade dos Emirados Árabes Unidos, construída à base da riqueza do petróleo fóssil, trata a pauta da sustentabilidade?
Para meu alívio – e certamente dos convertidos ao futuro sustentável – os planos são ambiciosos e já começam a ser realidade.
Dubai quer ser a cidade mais sustentável do mundo em 2050. Parece improvável para este rico pedaço do pujante país que em 2006 foi declarado pelo World Wildlife Fund (WWF) com a nação com maior pegada de carbono per capita.
Uma das formas de se chegar lá é por meio da construção da Cidade Sustentável, uma espécie de “laboratório vivo” para testar tecnologias e soluções futuras, localizado em Al Qudra Road, a 20 minutos do aeroporto de Dubai.
Aberta aos primeiros moradores em 2016, a Cidade Sustentável foi projetada para usar o mínimo de energia e água, além de colocar em prática todas as teorias de desenvolvimento sustentável.
Hoje conta com quase 3 mil moradores que residem em 500 condomínios e transitam por espaços comerciais e uma mesquita.
A cidade sustentável pretende ser net-zero em energia produzindo localmente tudo o que precisa a partir de fontes renováveis.
Dubai também se orgulha de ser berço do maior parque solar do mundo, com milhões de painéis fotovoltaicos capazes de converter os raios de sol em cerca de 1000 Megawatts por hora, uma conta que permitirá alimentar mais de 320 mil casas. Até 2030 a capacidade será ampliada para 5000 MW.
Com a construção iniciada em 2013, o parque deverá atingir a quinta e última fase de desenvolvimento nos próximos anos, e terá capacidade de compensar 6,5 milhões de toneladas de emissões de carbono por ano.
O plano “Energia Limpa Estratégica para Dubai” visa tornar a cidade referência global na produção de energia limpa e renovável. A meta é produzir até 2030 cerca de 25% da energia elétrica total da cidade a partir de fontes renováveis e 75% até 2050. A ambição é grande, mas segundo o primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, todas as casas de Dubai terão painéis solares fotovoltaicos em seus telhados até 2030.
Em Dubai, onde o sol nasce para todos, nasce também esperança para nosso planeta.

