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Causa mortis: Mudança Climática

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Em abril de 2015, o então presidente da Microsoft, Bill Gates, um dos homens mais influentes, ricos e poderosos do mundo, filantropo, e também um conhecido estudioso de causas humanitárias, participou de um Ted Talk*. 

Em sua palestra de pouco mais de oito minutos, abordou um tema que nos dias de hoje pode ser interpretado com ares de premonição.

O mundo vivia a epidemia do vírus Ebola, que assustava a África, e até aquela data já contabilizava mais de 10 mil mortos em 428 dias.

Na apresentação, Bill dizia que não seria uma bomba atômica, guerra ou terrorismo que poderia matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas.

Para ele estava claro: um vírus poderia ser o grande responsável.

Como humanidade, ele enfatizava que não estávamos preparados para combater uma doença mortal na iminência de surgir.

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Cinco anos depois, o mundo conheceria o corona vírus e sua cauda longa avassaladora.

Em outubro de 2022, um ano e meio após o início da pandemia, já foram mais de 6,55 milhões de vidas perdidas, das quais só no Brasil, mais de 686 mil.

Cada número, uma vida.

Voltando ao Bill, recentemente, em abril de 2021, novamente ele falou do tema, questionado em uma entrevista sobre o que causaria milhões de mortes nas próximas décadas.

A resposta foi direta: mudança climática.

Aliás, tema de seu livro lançado em 2021.

Se em 2015, antes mesmo do Acordo de Paris ser assinado, Bill fez um prognóstico assustador que se materializou bem antes e com grande velocidade, o que pensar na nova visão deste homem que há de se reconhecer não só como um gênio da tecnologia, mas também por seu conhecimento profundo das vulnerabilidades da humanidade?

Talvez você, no meio dos 7,75 bilhões de habitantes do planeta terra, ainda não tenha se dado conta, mas, de novo, Bill acertou.

O que as enchentes na Alemanha, recorde de temperatura no Canadá e Portugal, incêndios na Turquia e Austrália, onda de frio e neve no Brasil têm em comum?

A mesma causa raiz: a mudança climática.

Mas curiosamente, os mortos por hipotermia ou calor avassalador não entram para as estatísticas de clima.

Ou alguém já viu atestado de óbito com causa mortis “mudança climática”?

Experimente fazer esta conta, que resulta na equação da pressa do planeta.

Na corrida da década da Ação pelo Clima, cada vez mais nações e empresas olham para seu papel na redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE, em português).

Se nas operações matemáticas de multiplicação a ordem dos fatores não altera o produto, na questão climática, estabelecer ordem e ações imediatas é uma necessidade para a redução das emissões pela metade, por década, de forma a fechar a conta que garanta a sobrevivência da espécie humana no nosso planeta.

Esta conta da redução pela metade das emissões surge da Teoria das 9 Fronteiras Planetárias, de 2009.

Na ocasião, o então diretor do Stockholm Resilience Institute, Johan Rockström, liderou um grupo de 28 cientistas renomados, para identificar os diferentes processos que regulam a estabilidade e resiliência do nosso planeta.

Os pesquisadores indicaram nove barreiras a ser respeitadas para que o planeta Terra pudesse seguir sendo habitável para as próximas gerações. 

Esses critérios, ou fronteiras, funcionam em conjunto – um desvio em qualquer um deles influencia nos demais.

Desde que o Acordo do Clima de Paris foi adotado na COP 21 em 2015, o Limite Planetário do Clima está correlacionado a limitar o aumento da temperatura global em bem abaixo de 2° C em comparação com os níveis pré-industriais. 

O Acordo de Paris também afirmava que, se possível, essa meta deveria ser reforçada para limitar o aquecimento global a 1,5° C. 

E chegar a este número só se década a década a humanidade conseguisse reduzir as emissões pela metade.

O desafio está posto e o agir é mais do que necessário.

Ou estaremos fadados a viver para contar que algum conhecido levou um golpe fatal da mudança climática.

*TED – da sigla significa Tecnologia, Entretenimento e Design – é uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1984. Os TED Talks são palestras curtas realizadas por grandes nomes, de diferentes áreas, com o objetivo de disseminar ideias de forma criativa e assertiva.

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A newsletter SUSTENTABILIDADE DESCOMPLICADA é de autoria de Juliana Sá.

Executiva com especialização em Sustentabilidade pela Harvard Business School e pós-graduada em Comunicação Financeira pela Universidad Complutense de Madrid.

Em sua trajetória profissional atuou com Comunicação Estratégica no Brasil e Espanha.

Desde 2014 a Sustentabilidade passou a nortear sua carreira, quando esteve à frente do projeto inovador que usava lixo como combustível para veículos pesados (biometano). 

Atuou na TV Globo, KREAB (Consultoria Sueca de Comunicação Estratégica), Scania e atualmente está na Amazon.

LinkedIn Creator de Sustentabilidade, por meio da sua escrita na rede procura tornar #sustentabilidade#esg e temas afins claros e acessíveis a diversos públicos.

Quer ajudarpara ajudar empresas e organizações a colocar em prática soluções para um mundo mais sustentável. 

É criadora do “Missão Meninas”, Projeto Social de combate à pobreza menstrual e formação de autoestima de meninas, uma ação conectada ao livro infantil de sua autoria. Também é co-autora do livro “Essas Mulheres Sustentáveis”.

Mãe de duas pequenas de 5 e de 3 anos, tem o propósito de deixar um mundo melhor para suas filhas e as próximas gerações, e também deixar filhas melhores para o mundo.

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